
Act 2- Do you want to manipulate for a change?
1 de Maio de 2004
Sampaio Bruno com a Avenida dos Aliados 16:30 – 18:00
Equipa – Mauro, Paula e Pedro Personagens: Bush, Durão Barroso e Zapatero
“Hoje é dia do trabalhador…” e nós saímos à rua, primeiro para levar o «urso» (peça da Paula Lopes ) a rua e ver a reacção das pessoas, e depois levar a plataforma de fantoches à avenida, aproveitar a atmosfera de contestação sindical.
Cruzamo-nos com a manifestação, que me pareceu com pouca adesão, bandeiras dos partidos de esquerda, faixas representativas de cada sindicato, a tenda dos anarquistas na relva.
Escolhi a esquina da rua Sampaio bruno com a Avenida dos Aliados como poiso da plataforma, ponto de passagem e de paragem para assistir ao concerto – não consigo recordar o nome do senhor que cantava, mas a sua interpretação da “Pedra filosofal” faz parte do nosso imaginário colectivo.
Levantar a plataforma, e logo uma rapariga acompanhada do namorado pergunta quando começa o espectáculo. Só começa se tu intervires, respondi. Prontamente dispôs-se a participar e eu com ela. Fantasia comum, Durão e Bush tem um caso amoroso, Zapatero traidor aos seus olhos leva porrada entre os beijos dos amantes.
Um grupo de miúdos depois tomou conta da plataforma por uma boa meia hora, divertidos, mas não conscientes de quem manipulavam.
Pai e filho fazem as suas narrativas, as personagens empunham cravos, apoiam a classe operária? Pequenas audiências formam-se para assistir a paródia. De novo os miúdos, são bravos, porque vão dando o exemplo.
Um grupo de turistas espanhóis divertem-se com o facto de verem o teatro de fantoches e o Zapatero estar inserido neste, mas não quiseram participar.
Um grupo de rapazes adolescentes querem participar, e perguntam se podem bater nos fantoches. – Sim, claro! Mas o que se seguiu foi uma performance masoquista suicidária do Bush e do Durão a darem com a cabeça na parede. Perguntei-lhes se não era um bocado um acto suicida da parte deles. Parece-me que demonstravam mais os seus desejos ao estilo vudu.
Mas é sempre muito diferente quando se coloca uma ferramenta contestatária num ambiente propício, está no seu meio, e as coisas funcionam as mil maravilhas, e sabe sempre bem vê-la ser usada, mas bem melhor é leva-la para lugares menos propícios e em alturas desprovidas de significado especial, pois ai sim actua como um elemento surpresa e pode interromper a rotina e a letargia da vida quotidiana .