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Vandalismo e destruição arrasaram Praça de Lisboa
Manuel Vitorino, J. Paulo Coutinho (Jornal de Noticias - Porto)
Vandalismo, destruição, desprezo e indiferença são marcas deixadas na Praça de Lisboa, a dois passos da igreja dos Clérigos e da Livraria Lello, no coração do Porto. A debandada foi geral "Faz lembrar Pompeia. Fugiram todos", diz a Associação dos Amigos da Praça do Anjo que, hoje, às 15 horas, promove um encontro denunciador do caos na cidade deserta.
Circula-se por lá, onde em tempos existiu um espécie de shopping com restaurante da cadeia Pizza Hut, mais 20 lojas, entre as quais o Café das Artes, uma galeria de arte desenhada pelo arquitecto Eduardo Souto Moura e não se acredita. Dezasseis anos depois, resta um monte de destroços "Fui a primeira pessoa a fazer um contrato com a Sonae e na altura o local destinava-se a acolher galerias de arte e antiquários. A primeira grande exposição foi com obras do Siza Veira. Foi tudo um sonho", recordou, ao JN, o pintor e galerista Rui Alberto.
Agora, escutam-se palavras de de revolta e desilusão à mistura "Os diferentes Executivos da Câmara falharam redondamente na revitalização da urbe. Como foi possível semear o caos numa cidade com o título de Património Mundial da Humanidade?", pergunta Rui Alberto.
Sem segurança e com as lojas fechadas (por falta de clientes) causou alguma estupefacção, no final do ano, o roubo e subsequente destruição da estátua "A Anja", do escultor José Rodrigues, colocada no centro da Praça. "Foi o culminar da falta de vergonha. Os gatunos tiveram tempo para tudo. Até para ligar as máquinas e saquear a obra de arte", salienta Ângelo Ferreira de Sousa, artista plástico e animador da Associação.
No local onde em tempos funcionou o Mercado do Anjo existem outras memórias. O pintor Gouveia Portuense retrata-o com grande sensiblidade no livro "Imagens e Costumes do Porto de Outras Eras", enquanto Lino António, professor e pintor, destaca o local como uma memória da cidade "Aquela praça devia ser reconvertida e transformar-se num pólo lúdico. Os arquitectos deviam ser chamados a intervir e a Câmara devia impulsionar um concurso de ideias. Por que não se faz mais debates sobre a cidade?", perguntou.
Quanto à destruição do antigo local do Clérigos Shopping, Lino António não ficou espantado " A cidade foi votada ao abandono pelos diferentes poderes. A Praça de Lisboa fica num eixo muito importante do centro histórico mas não foi acarinhada. A cidade definhou por falta de uma estratégia", considerou.
Depois da destruição, a Câmara quer reconverter o local para acolher o Pólo Zero da Federação Académica do Porto. O espaço já foi resgatado e a Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), afirma ter dado andamento ao concurso público. Objectivo encontrar outro concessionário mais arrojado e capaz de dar outra vida ao local. Para já, ficam promessas. E um montão de destroços num local dito como "emblemático" da Baixa portuense.
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