carla cruz

Praça de Lisboa


			Carla Cruz e Ângelo Ferreira de Sousa para o espaço Apêndice, Porto 2007
			


Praça do anjo // clérigos Shopping



 

A Associação de Amigos da Praça do Anjo e os artistas Carla Cruz e Ângelo Ferreira de Sousa têm o prazer de convidá-lo para o projecto:

"PRAÇA DE LISBOA - antiga Praça do Anjo"
que decorrerá no espaço Apêndice, no próximo dia 16 de Janeiro pelas 15h.

No ano de 2006, a 21 de Dezembro, um relatório da Polícia Judiciária informava:
"A PJ, através da Directoria do Porto, procedeu, na noite de ontem, à detenção de dois indivíduos, presumíveis autores dos crimes de furto e receptação - ocorridos na noite anterior -, de uma escultura em bronze representando uma figura feminina denominada " A ANJA" da autoria do mestre José Rodrigues, que se encontrava implantada na Praça de Lisboa, na cidade do Porto, tendo recuperado a peça em questão que já havia sido retalhada para fundição.
Os detidos foram presentes às competentes autoridades judiciárias para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coacção."
O crime que tomou de surpresa a sociedade portuense da época será agora lembrado numa visita que procurará enquadrar a desaparecida obra-de-arte no seu contexto arquitectónico e sócio-cultural.
Pede-se aos interessados que procurem não chegar depois da hora marcada já que levaremos a cabo uma visita guiada às ruínas do espaço que, numa primeira etapa, foi colher o seu nome na realização do Mercado do Anjo mas que, em épocas mais recentes, era apelidado "Clérigos Shopping".

APÊNDICE
Centro Comercial de Cedofeita, Loja nº 100
Rua de Cedofeita - Porto
o.apendice at gmail.com

 

 

Vandalismo e destruição arrasaram Praça de Lisboa

Manuel Vitorino, J. Paulo Coutinho (Jornal de Noticias - Porto)

Vandalismo, destruição, desprezo e indiferença são marcas deixadas na Praça de Lisboa, a dois passos da igreja dos Clérigos e da Livraria Lello, no coração do Porto. A debandada foi geral "Faz lembrar Pompeia. Fugiram todos", diz a Associação dos Amigos da Praça do Anjo que, hoje, às 15 horas, promove um encontro denunciador do caos na cidade deserta.

Circula-se por lá, onde em tempos existiu um espécie de shopping com restaurante da cadeia Pizza Hut, mais 20 lojas, entre as quais o Café das Artes, uma galeria de arte desenhada pelo arquitecto Eduardo Souto Moura e não se acredita. Dezasseis anos depois, resta um monte de destroços "Fui a primeira pessoa a fazer um contrato com a Sonae e na altura o local destinava-se a acolher galerias de arte e antiquários. A primeira grande exposição foi com obras do Siza Veira. Foi tudo um sonho", recordou, ao JN, o pintor e galerista Rui Alberto.

Agora, escutam-se palavras de de revolta e desilusão à mistura "Os diferentes Executivos da Câmara falharam redondamente na revitalização da urbe. Como foi possível semear o caos numa cidade com o título de Património Mundial da Humanidade?", pergunta Rui Alberto.

Sem segurança e com as lojas fechadas (por falta de clientes) causou alguma estupefacção, no final do ano, o roubo e subsequente destruição da estátua "A Anja", do escultor José Rodrigues, colocada no centro da Praça. "Foi o culminar da falta de vergonha. Os gatunos tiveram tempo para tudo. Até para ligar as máquinas e saquear a obra de arte", salienta Ângelo Ferreira de Sousa, artista plástico e animador da Associação.

No local onde em tempos funcionou o Mercado do Anjo existem outras memórias. O pintor Gouveia Portuense retrata-o com grande sensiblidade no livro "Imagens e Costumes do Porto de Outras Eras", enquanto Lino António, professor e pintor, destaca o local como uma memória da cidade "Aquela praça devia ser reconvertida e transformar-se num pólo lúdico. Os arquitectos deviam ser chamados a intervir e a Câmara devia impulsionar um concurso de ideias. Por que não se faz mais debates sobre a cidade?", perguntou.

Quanto à destruição do antigo local do Clérigos Shopping, Lino António não ficou espantado " A cidade foi votada ao abandono pelos diferentes poderes. A Praça de Lisboa fica num eixo muito importante do centro histórico mas não foi acarinhada. A cidade definhou por falta de uma estratégia", considerou.

Depois da destruição, a Câmara quer reconverter o local para acolher o Pólo Zero da Federação Académica do Porto. O espaço já foi resgatado e a Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU), afirma ter dado andamento ao concurso público. Objectivo encontrar outro concessionário mais arrojado e capaz de dar outra vida ao local. Para já, ficam promessas. E um montão de destroços num local dito como "emblemático" da Baixa portuense.

 






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